Ações individualizadas de artistas ou de grupo de artistas invadem cada vez mais os espaços públicos das cidades. Essas ações caracterizam-se na sua grande maioria por serem temporárias e que tem como mote proporcionar experiências, sensações ou reações a um público variado de pessoas. Novas formas de expressão em que a experiência estética acontece nos espaços públicos das cidades em que grupos sociais ou indivíduos se encontram invertendo uma lógica do lugar da arte – galerias, museus, salas de exposições – para somente um público especializado ou disposto a um deslocamento a esses locais. O público passante por esses lugares é provocado para deixar de ser um mero espectador, para vivenciar a experiência de uma ação, de um momento diferenciado, instigante e/ou provocativo.
Grupos como Poro – Interferências em Arte,de Belo Horizonte, formado pelos artistas Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada atuam com intervenções no espaço público desde 2002, realizando diversos trabalhos entre eles “Enxurrada de Letras, Jardim, Imagem…Cor, Folhas de Ouro” entre outros. No seu Blog grupo pergunta: “É possível re-sensibilizar o espaço urbano?” Pergunta tão provocadora como sua arte. Campbell e Terça-Nada acreditam que suas ações artísticas podem sim despertar a sensibilidades de um público que transita nos espaços em que eles atuam.

Enxurrada de Letras Poro 2004
Outro grupo que propõe a arte pública e por vezes com resultados que ficam no limite entre uma ação cotidiana e uma ação artística propriamente dita estabelecendo uma relação muito próxima entre a arte e vida é o grupo GIA – Grupo de Interferência Ambiental (http://giabahia.blogspot.com ). Composto por artistas visuais, designers e arte-educadores que têm em comum a identificação com as linguagens contemporâneas da arte. Em suas propostas, o grupo traz como mote a frase “acredite nas suas ações!”, como forma de envolvimento do publico na ação desenvolvida, fazendo, muitas vezes que este seja estimulado efetivamente agir para que esta se concretize.
Ações provocativas e bem humoradas são sugeridas para que o público a desenvolva. Exemplo disso é o trabalho “Soluções práticas para problemas contemporâneos”. Nele o grupo sugere uma ação para não esquentar a latinha de cerveja no carnaval e ainda dar utilidade ao saquinho plástico, que como aponta o grupo: “você trouxe do mercado por ter esquecido a sacola retornável”, afirmando assim que: “essa é uma boa opção!”
O site dos grupos Poro e Gia merecem uma visita para todos que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre a arte contemporânea e intervenções urbanas que tem o indivíduo e suas múltiplas percepções como ponto principal para suas ações.
Rosana Berwanger Silva